Doença Celíaca: o glúten é um vilão para todos?

doencaceliacaNesta matéria, pretendo explicar um pouco sobre a doença celíaca, buscando destacar a importância do tratamento dietético para a manutenção da saúde e da qualidade de vida dos pacientes que possuem a doença.

O que é o glúten?

O glúten é uma proteína presente no trigo, na cevada e no centeio. É uma proteína complexa formada por glutenina e gliadina. Também é possível encontrar glúten na aveia, já que, algumas aveias comercializadas no Brasil podem ter sido contaminadas com o glúten de outros produtos no processo de sua fabricação.

Por que o glúten está sendo tratado como um vilão?

Isto ocorre porque a glutenina e a gliadina presentes no glúten possuem resistência à degradação gástrica e pancreática e pelas proteases (enzimas que quebram proteínas) da borda em escova intestinal humana. Muitas pessoas tendem a acreditar que a intolerância ao glúten está disseminada e pode estar presente em qualquer indivíduo, mas não é verdade! Nas última décadas, tem crescido o número de doenças relacionadas à ingestão do glúten, mas isto não significa que a doença irá se manisfestar em todo ser humano. As doenças relacionadas ao glúten podem ser categorizadas de acordo com o que está causando a enfermidade:

Imunológica – doença celíaca, ataxia ao glúten, dermatite herpetiforme

Alérgica – alergia ao trigo

Não Imunológica e não alérgica – sensibilidade ao glúten

É importante conhecer os sintomas e sinais apresentados pelo indivíduo e realizar exames necessários para que se possa diagnosticar corretamente o problema. Isto deve ser feito por um profissional especializado na área, como um gastroenterologista, com apoio de uma equipe interdisciplinar.

O que é doença celíaca (DC)?

A doença celíaca é caracterizada pela presença de manifestações clínicas desencadeada pela ingestão de alimentos que contenham glúten, em indivíduos geneticamente suscetíveis. Deve haver presença da combinação de manifestações clínicas, a presença de anticorpos específicos para DC, haplótipos do antígeno leucocitário humano HLA-DQ2 e HLA-DQ8 e enteropatia, para caracterizar DC.

A causa da doença ainda não é muito bem conhecida, mas acredita-se que fatores imunes, genéticos e ambientais estejam relacionados. Os fatores genéticos estão fortemente relacionados com a DC, sendo que o número de alelos HLA presentes no indivíduo pode afetar o desenvolvimento e a severidade da DC. Ainda, é importante ressaltar que fatores ambientais, como a amamentação, desempenham funções importantíssimas na proteção contra o desenvolvimento da DC. A época da introdução gradual (depois dos 4 meses de idade) de alimentos que contenham glúten juntamente com a amamentação, reduzem o risco de desenvolvimento da doença na infância.

Quais são as manifestações clínicas da DC?

A DC é uma doença sistêmica (ou seja, afeta todo o organismo), frequente e pode ser diagnosticada em qualquer período da vida.

Entre os sintomas gastrintestinais, pode-se citar:

  • Diarreia crônica;
  • Constipação crônica;
  • Dor abdominal;
  • Náuseas;
  • Vômitos;
  • Distensão abdominal.

Sintomas que não estão relacionados ao trato gastrintestinal podem ocorrer, como:

  • Dificuldade para ganhar peso e altura;
  • Atraso na puberdade;
  • Anemia crônica;
  • Osteopenia e osteoporose;
  • Defeitos no esmalte dos dentes;
  • Irritabilidade;
  • Fadiga crônica;
  • Neuropatias;
  • Artrite e artralgias;
  • Cessação da menstruação;
  • Aumento nos níveis enzimáticos do fígado.

Classificação da DC

A DC pode ser classificada de acordo com os sintomas:

  • Clássica: quando os sintomas estão associados a mal absorção intestinal, como diarreia, esteatorreia (presença de gordura nas fezes), vômitos, distensão abdominal, flatulência, perda de peso e déficit de crescimento.
  • Não clássica: quando os sintomas são intestinais, mas não envolvem mal absorção. P. ex: pacientes com constipação e dor abdominal.
  • Assintomática: ausência de sintomas.

Tratamento

Até o momento, o único tratamento disponível para a DC consiste na exclusão total dos alimentos que possuam glúten para toda a vida. Entretanto, alguma pessoas não reagem ao tratamento nutricional por serem portadoras da forma refratária da doença, sendo necessário tratamento imunoterápico.

É importante ressaltar que o tratamento deve ser feito por uma equipe multiprofissional, ou seja, com acompanhamento do nutricionista, médico, psicólogo, etc.

Tratamento Nutricional

O nutricionista deve realizar uma prescrição nutricional adequada e elaborar um plano de atenção nutricional personalizado para o paciente com DC. A remoção total da dieta de alimentos que contenham glúten pode ser bastante difícil, em razão:

  • da contaminação de alimentos com glúten, que pode ocorrer ao se utilizar os mesmos utensílios para alimentos com e sem glúten.
  • do elevado valor de produtos isentos de glúten.
  • da disponibilidade de produtos sem glúten no mercado.
  • da baixa palatabilidade destes alimentos, já que o glúten confere a alguns produtos, a retenção de gases, que torna o alimento mais saboroso (ex. pão).

O nutricionista, após a exclusão do glúten da dieta, deve continuar o monitoramento e avaliação dos sintomas gastrintestinais que ainda persistirem, como flatulência, constipação e diarreia. A dieta sem glúten deve ser recomendada e avaliada com atenção! Sua prescrição indiscriminada pode prejudicar o diagnóstico e o tratamento de doenças relacionadas ao glúten, acarretando em danos à saúde.

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